29/09/2019 0 comentários

MARIANA

Primeira capital, primeira vila, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais. A história de Mariana, que tem como cenário um período de descobertas, religiosidade, projeção artística e busca pelo ouro, é marcada também pelo pioneirismo de uma região que há três séculos guarda riquezas que nos remetem ao tempo do Brasil Colônia.

Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas liderados por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça encontraram ouro em um rio batizado de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens nasceu o arraial de Nossa Senhora do Carmo, que logo assumiria uma função estratégica no jogo de poder determinado pelo ouro. O local se transformou em um dos principais fornecedores deste minério para Portugal e, pouco tempo depois, tornou-se a primeira vila criada na então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Lá foi estabelecida também a primeira capital.

Em 1711 o arraial de Nossa Senhora do Carmo foi elevado à Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo. Em 1745 o rei de Portugual, Dom João V, elevou a vila a categoria de cidade, nomeada como Mariana, uma homenagem à rainha Maria Ana D’Austria, sua esposa. Transformando-se no centro religioso do Estado, nesta mesma época a cidade passou a ser sede do primeiro bispado mineiro. Para isso, foi enviado, do Maranhão, o bispo D. Frei Manoel da Cruz. Sua trajetória realizada por terra durou um ano e dois meses e foi considerada um feito bastante representativo no Brasil Colônia. Um projeto urbanístico se fez necessário, sendo elaborado pelo engenheiro portugues militar José Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas em linha reta e praças retangulares são características da primeira cidade planejada de Minas e uma das primeiras do Brasil.

Além de guardar relíquias e casarios coloniais que contam parte da história do país, em Mariana nasceram personagens representativos da cultura brasileira. Entre eles estão o poeta e inconfidente Cláudio Manuel da Costa, o pintor sacro Manuel da Costa Ataíde e Frei Santa Rita Durão, autor do poema “Caramuru”.

Pioneira em comunicação, nas suas terras foi instalada a primeira agência dos Correios no Estado, em 1730. Na época conhecida como “Correio Ambulante”, ela estabelecia a comunicação entre Rio de Janeiro, São Paulo e a capital mineira. Em 1945, Mariana recebe do presidente Getúlio Vargas o título de Monumento Nacional por seu “significativo patrimônio histórico, religioso e cultural” e ativa participação na vida cívica e política do país, contribuindo na Independência, no Império e na República, para a formação da nacionalidade brasileira.

Todo ano, em 16 de julho, Dia de Minas, o Governo do Estado de Minas Gerais instala-se na cidade, realizando cerimônia alusiva na Praça Minas Gerais que, pela harmonia e beleza plástica de seus monumentos, é um expressivo conjunto urbano da Minas colonial. A extração do minério de ferro é a principal atividade industrial do município, forte geradora de empregos e receita pública. Seus distritos desenvolvem atividades agropecuárias e apresentam artesanato variado, expressando a diversidade cultural de Minas Gerais.

Tudo isso faz da “primeira de Minas” um dos municípios mais importantes do Circuito do Ouro e parte integrante da Trilha dos Inconfidentes e do Circuito Estrada Real. Uma cidade tombada em 1945 como Monumento Nacional e repleta de riquezas do período em que começou a ser traçada a história de Minas Gerais.

Bem pertinho de Ouro Preto, a cidade de Mariana é excelente passeio de bate e volta para quem está na região. Mariana, assim como Ouro Preto, preserva parte da história colonial brasileira, especialmente ligada ao Ciclo do Ouro em Minas Gerais. A cidade oferece aos visitantes belas igrejas, casarões coloniais, pequenos museus e um ar de antigamente que torna Mariana um destino imperdível. Para completar o passeio, vale até ir de Ouro Preto a Mariana em um delicioso roteiro de trem.

As principais atrações de Mariana são as duas igrejas da Praça de Minas Gerais, um dos pontos que mais preservam a arquitetura colonial e barroca na cidade. A Igreja de São Francisco tem nave e sacristia com trabalho em pintura de Mestre Ataíde (os restos mortais do artista estão sepultados na igreja), enquanto os púlpitos em pedra sabão são atribuídos a Aleijadinho. Ao lado dela, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo tinha teto pintado por Francisco Xavier Carneiro. Infelizmente, em 1999, a igreja sofreu um grande incêndio quando estava prestes a terminar a restauração total do prédio. As pinturas se perderam, mas o altar-mor foi preservado. Na mesma praça, a Casa da Câmara e Cadeia (aberta à visitação) preserva mobiliário e arquitetura da época da construção, entre os séculos XVIII e XIX. No centro da região, um pelourinho resgata a memória dos tristes dias em que o trabalho escravo era comum no Brasil.

Outra igreja que se destaca em Mariana é a Catedral Basílica da Sé (também chamada de Nossa Senhora da Assunção), com conclusão de obra em meados do século XVIII e rico interior com detalhes atribuídos a Mestre Ataíde e Aleijadinho. Também do século XVIII, a Basílica de São Pedro dos Clérigos foge ao padrão da arquitetura colonial brasileira e segue linhas com influência italiana. Do alto, tem-se uma bela vista de Mariana.

Caminhar pelo Centro Histórico de Mariana nos remete a todo momento aos séculos passados. O ritmo da cidade é lento e uma voltinha pela Praça Gomes Freire é imperdível. Cercada de verde e preservados casarões coloniais, a praça faz com que os turistas se sintam em uma viagem no tempo. Para apreciar alguns dos mais belos conjuntos de obras arquitetônicas dos séculos XVIII e XIX, experimente caminhar pela Rua Direita. E se o interesse for por conhecer melhor a história da cidade, não deixe de fazer um tour guiado, visitar o Museu da Música e o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana.

A cidade de Mariana não é muito grande e todas as atrações podem ser visitadas a pé. Basta um mapinha na mão. Na volta para Ouro Preto, não deixe de visitar a Mina da Passagem, a única mina industrial aberta à visitação na região.

Passeio de Trem de Ouro Preto até Mariana….Quem quiser dispensar o carro poderá fazer a visita à Mariana de trem. O trajeto não é longo, mas a viagem é uma ótima oportunidade para quem nunca entrou em um antigo vagão. O Trem da Vale de Ouro Preto para Mariana é composto por seis vagões, sendo um deles panorâmico com grandes paredes de vidro. O trem parte de Ouro Preto rumo à cidade de Mariana em dois horários, um pela manhã e outro à tarde, porém a escala não é fixa e é preciso consultar o site do Trem da Vale para saber os horários do dia do seu passeio. Não há trem todos os dias. No geral, as viagens acontecem apenas de sexta a domingo e também nos feriados. Uma boa opção é comprar o trecho de ida para Mariana de trem e, na volta, pegar o ônibus para Ouro Preto, que faz parada na Mina da Passagem. Assim você aproveita a viagem e faz dois ótimos passeios em apenas um dia.

Não é possível traçar os rumos da história mundial do ouro sem falar do “Ciclo do Ouro” brasileiro. Este período, muito bem definido na história brasileira, iniciou-se em 1695 e findou por volta de 1800, quando o ouro passou a ocupar um plano secundário na economia nacional. Durante este período, a produção mundial de ouro foi de 1.421 toneladas métricas, tendo a capitania de Minas Gerais, praticamente Ouro Preto e Mariana, contribuído com 700 toneladas, ou seja, 50% do ouro produzido no período.

A interiorização do Brasil iniciou-se com a procura de riquezas, principalmente ouro, esmeraldas e brilhantes, que os homens da época julgavam existir naquela tão bela e promissora terra. Organizados em grupos denominados bandeirantes, eles entregavam-se de corpo e alma à procura dos metais e das pedras preciosas, embrenhando-se pelos sertões.  Nos fins do séc. XVII, por volta de 1695, uma dessa bandeiras, comandada por Manoel Garcia Velho, encontra no Tripuí, a algumas léguas de Ouro Preto, uma série de granitos cor de aço, que mais tarde, quando examinados, verificaram tratar-se de finíssimo ouro. A notícia espalhou-se por toda a parte da colônia e a partir de 1697 se estabeleceu um “rush”, que se avolumou nos anos subsequentes.

Em 1680, o bandeirante João Lopes de Lima manifestava as jazidas de cascalho de N. Sra. do Bom Sucesso e, em 1702, dava-se conhecimento do sumidouro de Mariana. Durante este período se instalaram dois grupos mineiros, que viriam a constituir as povoações de Mariana e Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto. Apesar da pouca distância que as separava, ignoraram-se por longo tempo. Porém, as águas turvas do Ribeirão do Carmo mostravam para os habitantes de Mariana que, rio acima existia uma outra cidade. Na ânsia de manter contato com elementos civilizados, subiram o Ribeirão do Carmo. Em 1719 surgia então a Vila da Passagem, entre as duas cidades. Durante essa época, os mineiros que iam subindo o rio bateando os depósitos aluvionares, descobriram o ouro primário de Passagem.

Wilhelm Ludwig von Eschwege (1777-1855), também conhecido por barão de Eschwege, foi um geólogo, geógrafo, arquiteto e metalurgista alemão. Foi contratado pela coroa portuguesa para proceder ao estudo do potencial mineiro do país, notabilizando-se pela realização da primeira exploração geológica de carácter científico feita no país.

Com a descoberta e abundância do ouro, no período de 1729 a 1756 fluiu para a área um grande número de elementos que passaram a explorar as jazidas concentradas no morro de Santo Antônio. Os trabalhos eram realizados a céu aberto e/ou por meio de pequenos serviços subterrâneos que, geralmente, paravam quando era atingido o lençol freático. Lavrava-se e recuperava-se, então, apenas o ouro contido nos itabiritos, na jacutinga e na canga ferro-aurífera. A mão de obra era totalmente escrava e estima-se que, em certa época, cerca de 35 mil escravos povoaram as senzalas do morro Santo Antônio.

Data do séc. XVIII a descoberta do ouro em Passagem. Os bandeirantes percorreram os veios d’àgua da bacia do rio Doce e atingiram o Ribeirão do Carmo, no qual localizaram ouro aluvionar abundante. Subindo o ribeirão, em típica prospecção por bateia, descobriram em 1719 as jazidas primárias de Passagem. De 1729 a 1756 vários mineiros obtiveram concessões para a exploração das jazidas. Com o passar dos anos, reduziram-se a poucos proprietários, os quais transferiram a mina, a 12 de março de 1819, ao barão von Eschwege.

Os trabalhos até então se concentravam no morro Santo Antônio e eram executados por mão de obra servil, a céu aberto ou mediante pequenos serviços subterrâneos. Recuperava-se o ouro contido nos itabiritos, na jacutinga e nas cangas ferro-aurífera. As ruínas ainda existentes testemunham este remoto passado. Eschwege formou a primeira empresa mineradora do Brasil, sob o nome de Sociedade Mineralógica de Passagem. Construiu o engenho, com dez pilões californianos, e estabeleceu o primeiro plano de lavra subterrânea. Somente após o ano de 1800 é que se descobriu ouro nos quartzitos, nos xistos grafitosos e nos dolomitos, dando novo rumo a exploração das jazidas.

Após anos de prosperidade, o barão von Eschwege, atraído por novas atividades na pioneira siderurgia, desinteressou-se da mineração de ouro. Os direitos minerários da Mina da Passagem passaram, a 1o de junho de 1859, às mãos do inglês Thomas Bawden que constituiu a Anglo Brazilian Gold Mining Company, uma sociedade de propósito específico, juntamente com o também experiente inglês da Cornualha, capitão Thomas Treloar. Esta empresa adquiriu diversas concessões vizinhas, como Paredão e Mata Cavalos, e trabalhou nas jazidas de 1864 à 1873, produzindo 753.501 gramas de ouro ao teor médio de 6.89 gramas por tonelada de minério. Em 26 de novembro de 1873, a Anglo Brazilian Gold foi encampada pela The Ouro Preto Gold Mines of Brazil Limited.

A nova empresa operou com grande sucesso até março de 1927, quando foi vendida ao grupo Ferreira Guimarães (banqueiros de Minas Gerais), em maio do mesmo ano. Foi constituída assim a atual Companhia Minas da Passagem, que operou regularmente até 1954. A conjuntura inflacionária, a falta de capital, o preço irreal do ouro (fixado em 35 dólares a onça-troy) e a obrigatoriedade de toda a produção ser vendida ao Banco do Brasil tornavam a lavra economicamente inviável.

Em outubro de 1976 a Cia. Minas da Passagem foi adquirida pelo atual grupo controlador, que diversificou os negócios da empresa. Uma das novas atividades criadas foi a visitação turística à Mina do Fundão (parte do complexo mineiro conhecido como Minas da Passagem), em 1979, revelando-se um sucesso e funcionando ininterruptamente até a data presente.

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