27/09/2019 0 comentários

BURITIS

O grande potencial turístico da cidade tem conquistado admiradores a cada ano. Motivos para isso não faltam. A ‘Rainha do Vale’ além de ser rodeada de serras, guarda lindíssimas quedas d’aguas. Já são mais de 42 cachoeiras apenas no município de Buritis. Esse número triplica quando falamos sobre a região do Vale do Urucuia.

As nascentes do município e região integram a Bacia do Rio São Francisco, que tem parte de suas nascentes em Buritis. O clima agradável e a lindíssima vegetação chamam atenção dos visitantes. Para além das belezas naturais, Buritis ainda abriga a produção de uma das cachaças mais requisitadas no país, a famosa Cachaça Urucuiana, produzida na fazenda HB. Outro atrativo que agrada o paladar dos turistas são os deliciosos queijos produzidos no Laticínio Vale dos Buritis. São mais 50 mil litros de leite captados e 40 produtos distribuídos nacionalmente.

Tudo começou em 1670 quando o bandeirante Lourenço Castanho Taquias atravessou a região no rastro de outro bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o “anhanguera“, sairia de Sabará em busca de ouro e de outras riquezas do centro oeste. A região era habitada por algumas tribos, que foram deslocadas do Maranhão pelos franceses, e em princípio não despertou o interesse do bandeirante, porque havia apenas mato, sem sinais de riqueza mineral.

Em 1716 as irmãs Joaquina e Luiza Aldonso vindas de Paracatu dos príncipes de São Romão, subiram o rio Urucuia á procura de ouro, mais ficaram encantadas com a beleza do lugar onde é hoje Buritis. Resolveram então fundar ali o porto de Sant’ Anna, em homenagem a santa que eram devotas. O porto serviria de referência para os navegadores que subiam o rio. Com ajuda dos índios que habitavam a região, elas construíram pequenas palhoças as margens de um córrego onde existiam um vasto Buritizal.

A região começou efetivamente a ser explorada por volta de 1730, quando também bandeirante José Rodrigues Fróis sobe o rio Urucuia navegando desde o São Francisco também em busca de alguma riqueza. Mais foi Januário Cardoso Sobrinho que iniciou a ocupação, ao dominar os índios caiapós e ocupar uma grande ilha no rio São Francisco, na barra do rio Urucuia. Em 23 de outubro de 1748 deveria se chamar ilha de São Romão, padroeira do dia, logo depois a caravana de Januário fundaria o arraial do Porto Salgado, que recebeu mais tarde o nome de Januária, em homenagem do fundador. Mais acima percorrendo o rio Urucuia em 1749, montaram outro povoado chamado de Sant’ Anna de Buritis, em homenagem a palmeira existente ao lado do córrego. Os primeiros ranchos de pau-a-pique (madeira e palha) surgiram ao lado de uma vereda (atual veredinha) às margens do rio Urucum, e na língua indígena queria dizer “ Rio de Águas Vermelhas”, mas com o tempo iria se transformando em Urucuia.

Com a chegada de outros bandeirantes, amigos de Januário Cardoso, Manoel Francisco Toledo, Domingos do Prado Oliveira, Salvador Cardoso Oliveira a região começou a ser ocupada por esses coronéis. Com a descoberta do ouro em Paracatu e em Goiás, a região passou a ser passagem para caravanas vindas do Nordeste, especialmente da Bahia. Alguns dos viajantes preferiram ficar por aqui e ocupar um pedaço de terra para cultivar. O rio Urucuia se transformou no percurso para o transporte de gêneros alimentícios vindos dos portos marítimos para o centro-oeste. O transporte final, quando o rio Urucuia não era mais navegável, era feito em lombo de burro. Sant’ Anna do Buriti é uma espécie de entreposto comercial entre Urucuia e o centro-oeste. Em 1805 era criada em Sant’ Anna do Buriti a Paróquia Nossa Senhora da Pena da pela arquidiocese de Paracatu. Em 1825 arraial Sant’ Anna do Buriti contava com 582 casas em uma população de cerca de 2,500 habitantes, o que elevou a condição de vila.

Em 1825 pelo ouvidor de Paracatu, Antônio Paulino de Abreu. Como a região não tinha pedras as casas eram construídas em barro, palha e madeira, por isso não existem construções centenárias como em outras cidades históricas de Minas. Por volta de 1830 uma doença (hidropisia), também conhecida como barriga d’água, provocada por um micróbio da água do veredinha, atacou a população local e muitas das famílias preferiram deixar o lugarejo, daí o surgimento de vilas próximas. A vila de Sant’ Anna do Burity reduziu seu tamanho. Em 1840 aqui vieram muitos homens alfabetizados como o Coronel.

Somente 40 anos depois que a peste foi controlada e a vila voltou a crescer. A partir de 1860 começaram a surgir as casas de adobe (tijolo cru), cobertas de telhas de argila, produzidas na própria região. Enquanto a peste provocava a decadência da cidade, outras regiões próximas se prosperavam, em parte com quem fugia de Sant’ Anna do Burity, como era o caso de Barra da Vaca, hoje Arinos a 70 km a baixo, e Morrinhos a 90 km. Também Formoso pegava a rebarba da decadência de Burity. A situação ficou tão feia para a vila que a paróquia foi transferida para Morrinhos e depois para São Romão. Com a decadência também de Morrinhos, Arinos, que recebeu o nome em homenagem ao escritor Afonso Arinos, passou a ser o principal centro da região Urucuia. Nessa época de Sant’ Anna do Burity quase desapareceu.

Com o crescimento do Estado de Minas Gerais, provocado pela descoberta de minas de ouro e produção de café novamente o rio Urucuia passou a ter importância fundamental por causa do transporte fluvial, e voltou a ser entreposto comercial com o desenvolvimento do Triângulo Mineiro e de Goiás, além de descoberta de jazidas de diamante do rio Claro.

A partir de 1870 o Arraial voltou a crescer. Surgia então a influência de famílias tradicionais, controladas por coronéis, como Ladislau Ferreira Prado, Cândido José Lopes, Firmino Ferreira Nei (Firminão), e ainda a família Fonseca Melo. Em 1885 surgiu o primeiro cartório da vila, primeiro escrivão: Clarindo J. Dos Santos

Em 1888 com a abolição da escravatura e depois a proclamação da República em 1889, muitos negros preferiram ir embora, principalmente para o Arraial do Couros (hoje Formosa), e outros para a tribo dos Calungas, preservada até hoje em Goiás. Os negros que ficaram tornaram-se trabalhadores dos fazendeiros, casaram-se com brancos e alguns conseguiram o controle de algumas terras e tornaram-se fazendeiros.

Em 1890 o Coronel Cândido José Lopes trouxe as primeiras professoras de Januária e de São Romão para lecionar no antigo povoado, cuja as despesas custeadas pelos homens mais proeminentes do local. No início do século XIX em 1895, o coronel Cândido José Lopes trouxe de Uberaba 1500 bois indianos para criar em sua fazenda Pernambuco e passou a vender as crias para os fazendeiros da região. A maior parte foi vendida para seu sogro Marcolino de Queiroz e para o fazendeiro Higino Rocha. Mas em 1911, depois de muitos negócios entre os dois fazendeiros, as famílias se desentenderam o que provocou dezenas de assassinatos. O outro conflito entre o coronel Firminão e José Garcia, coronel de São Vicente dez anos depois, provocou mais mortes na região, disseminando o medo na população local e nos imigrantes.

Em setembro de 1923 o vale de Buritis foi desmembrado de Paracatu e anexado ao município de Unaí. Em 1922 a eleição de Arthur Bernardes para Presidente do Brasil provocou uma revolta entre oposições e militares liderada por Luís Carlos Prestes pela esquerda e outra liderada por Juarez Távora. Esses grupos passaram a percorrer o interior do País, saqueando e matando. Em Buritis os tais “revoltosos” como eram chamados, saquearam o comércio de Vitalino Fonseca Melo e depois mataram quase todo o seu gado. Depois, levaram toda a produção de rapadura do Sr. Frutuoso Evangelista do Prado. Passando esse episódio a cidade voltou a calmaria mais com pouco crescimento o que produzia não era escoado. A produção era apenas para sobrevivência dos próprios fazendeiros e dos poucos moradores da vila.

Alguns dos professores daquela época Professor Virgílio, Professora Celina Pitangui Prado e Dália Lopes Gonçalves foram os primeiros. Entre os anos de 1930 a 1940 aqui já atuava o Sr. Liobino, homem maduro e conselheiro que tratava de pessoas com remédios de farmácia, trazendo os primeiros comprimidos, injeções, como a penicilina e receitava também chás e ervas, naquela época se considerava o primeiro médico da vila e também o Sr. João Joaquim Ramos (João Preto) o ferreiro de toda a região.

Em 1940, um bimotor sobrevoou a cidade assombrando a cidade quase toda população, que correu e se escondeu em baixo das camas ou nas matas. Logo depois, o senhor Joaquim Carneiro Valadares chegou com a primeira bicicleta, que foi acompanhada por bastante gente no seu primeiro trajeto pela cidade. Depois surgiu outros professores das escolas combinadas tais como: Inês Gonçalves (zeta) (em 1948), Azilda Carneiro Valadares (em 1937), José do Rego (o Juca), Sabino Rodrigues, Hemetéria Josefina Lopes (em 1943), Dona Fulô Campos, Dona Anália (em 1945) entre outros (as).

Da primeira Câmara de vereadores de Unaí para o período de 1947 a 1950, o nome de Pedro Valadares Versiani, que posteriormente, será conhecido como o chefe político da UDN mais importante da nossa vila, no decênio seguinte. Além de Pedro Versiani faziam parte desse grupo os seguidores Major Jéferson Martins, os dois irmãos Orlando e Norberto de Souza Prado, o comerciante Argemiro do Prado e Querobino Fonseca Melo e suas irmãs Leopoldina e Duchinha.

Em 1953, uma grande seca provocou enormes prejuízos a região, com a morte de milhares de animais e perdas de lavouras. Com expressão de uma certa liderança conseguida graças a uma troca simbólica entre demandas locais e nacionais, o Sr. Antonino Lopes foi eleito para a Câmara de vereadores de Unaí para o mandato de 1951 a 1954, e o Sr. José Gomes Pimentel para o período de 1955 a 1958 tendo exercido então a secretaria da Câmara. A esses dois líderes juntavam-se correligionários de grande importância na vila, como de controladores de funções públicas, requisitos indispensáveis para a manipulação política, como registro fundiário das propriedades urbanas e rurais e o controle dos aparelhos de estado em geral.

Até 1960 não haviam ainda estradas ligando Buritis a outras regiões do país com exceção das estradas boiadeiras para transporte por carro-de-boi e cavalo. Com o fracasso do rio Claro, o rio Urucuia deixara de ser navegável desde 1850. O escoamento da produção agropecuária era feito no lombo do burro ou através dos carros-de-boi até Januária, Formosa, Paracatu e Unaí. A única estrada que permitia a passagem de veículos passava sobre a serra (onde é hoje a fazenda Campininha), ligando a Cabeceiras á Formosa (GO), e a Unaí. Mesmo assim, era privilégio de quase um único veículo, ou caminhão do senhor José Rita que gastava cerca de 8 horas para percorrer 100 km até formosa. Na carroceria do caminhão misturavam passageiros, galinhas e porcos.

A partir de 1960 com a construção da estrada na serra de Buritis, foi intensificado o trânsito de veículos até Buritis, inclusive com a construção de linhas regulares ônibus para Formosa e Unaí. Os primeiros veículos que alcançaram Buritis foram dois jipes da SUCAM (Superintendência de Erradicação da Malária). Com a construção de Brasília a região do Urucuia recebeu uma grande leva de imigrantes. Neste mesmo ano emigraram também grande parte dos municípios de Abaeté, Morada Nova e Cruzeiro de Fortaleza – MG para Buritis. O noroeste mineiro foi beneficiado com a construção de muitas estradas interligando todos os municípios em Brasília.

Em 1961, Buritis foi emancipada politicamente após negociações entre o Deputado Manoel Almeida e o prefeito de Unaí José Adjuto Filho, e confirmada pela lei 2.764 de 30 de Dezembro de 1962. Foi nomeado intendente Romeu Gonçalves de Araújo com a missão de instalar a infra-estrutura do município, ajudado por Ulisses Pereira dos Santos, (o nego fiscal). Ajudou também na concretização o vereador João Honorato, que representava a região de Buritis na câmara de vereadores de Unaí. Pelo senso do Sr. Nego Fiscal, eram 122 casas e cerca de 4.700 habitantes na zona urbana.

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