09/09/2019 0 comentários

BARRA GRANDE

O litoral da Bahia é conhecido e procurado por turistas brasileiros e estrangeiros o ano todo. É garantia de sol, belas praias, e muita agitação em qualquer época do ano. Barra Grande, na Península de Maraú, tem tudo isso. E com uma vantagem: a agitação não é o ano todo. Dizem que no carnaval esta pequena vila de remoto acesso fica lotada.

O acesso já dificulta mesmo a “invasão”: é preciso ir até Camamu, distante mais de 300 km de Salvador ou 150 Km de Ilhéus, e dali um pequeno e lento barco através de uma região de manguezais, em mais 1:30 hrs de viagem. Esta travessia já te transporta para o clima do lugar: o tempo transcorre devagar, permitindo a contemplação de cada detalhe das tantas belezas que vão surgindo.

A chegada na vila repete o mesmo ritual de outros destinos onde entra-se por um cais turístico: você é logo abordado por crianças dispostas a carregar suas malas, indicar esta ou aquela pousada, atrás de comissão ou um trocado.

A vila se divide mais ou menos assim: na “orla”, pousadas mais sofisticadas, com conforto e altos preços. Daí para dentro, hospedagem muito simples, sem nenhum requinte.

Aliás, alimentação é um capítulo à parte aqui. Não se pode ir a Barra Grande sem passar pelo McDidi. Uma kombi velha transformada em lanchonete, e a marca pintada copiando sem medo aquela grande rede mundial. Com a vantagem de oferecer refeições bem mais saborosas. Não há caixa eletrônico aqui nem em Camamu.

À noite, não há o que fazer na vila. São poucos restaurantes com poucos frequentadores entre os poucos turistas que ali estão. Quer coisa melhor? Ande pelas pequenas ruelas, passeie descalço pela areia da orla iluminada apenas pela luz da lua, e tire uma casquinha da estrutura das pousadas ali, sentando-se em uma das espreguiçadeiras e admirando o céu recheado de estrelas, tendo apenas o barulho das ondas a quebrar.

Durante o dia, não dá mesmo para ficar na vila. Há muita coisa para conhecer em volta, em um passeio de barco. Fomos apenas uns 10 passageiros, e parecia que éramos todos os “forasteiros” do local àquela hora da manhã. O passeio tradicional inicia pela Ilha da Coroa Vermelha, que não tem nada de ilha. É um imenso banco de areia que aflora na maré baixa, formando piscinas que aprisionam pequenos peixes, estrelas do mar, siris e atraem alguns pássaros, até que a água venha tomar tudo de volta. O guia diz que um cantor de axé quis comprar o local para fazer uma pousada. Barra Grande é mesmo protegida: a intenção foi rechaçada pelos órgão de proteção ambiental.

Segunda parada: a ilha da Pedra Furada. Esta não resistiu: é propriedade particular. Paga-se pela visita guiada pelo local, que tem apenas um habitante fixo, o caseiro que o guarda para as ocasionais visitas do verdadeiro dono. Ele sobrevive do que pesca nas caças submarinas, e o estoque de alimentos e água é trazido de Barra Grande pelos barcos de turismo. Não reclama da vida e parece satisfeito com o seu pequeno mundo. A felicidade é simples, a gente é que complica.

A grande atração mesmo não fica em Barra Grande: a Praia de Taipus de Fora, considerada uma das mais belas do Brasil, é distante e para chegar lá é preciso pegar uma das jardineiras (caminhonetes abertas adaptadas para passageiros) que só saem quando juntam seis passageiros (ou se você paga pelos 6), um quadriciclo ou encarar uma boa pedalada.

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